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:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: :
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FILME: Noites de Tormenta ORIGINAL: Nights in Rodanthe PAÍS/ANO: EUA, 2008
DIRETOR: George C. Wolfe DURAÇÃO: 74min
ELENCO: Richard Gere, Diane Lane, Scott Glenn, Christopher Meloni, Viola Davis NOTA: 3,0
Mostra Panorama

NOITES DE TORMENTA

Adrienne Willis foi trocada por outra, mas o marido agora quer voltar. Os filhos a pressionam para aceitá-lo de volta e ela, indecisa, resolve refletir por uns dias enquanto cuida da pousada à beira-mar de uma amiga. O tempo está instável e, no local, apenas um hóspede é esperado: Paul Flanner, um médico em crise profissional e pessoal. Uma grande tempestade e os perigos de um furacão aproximam Adrienne e Paul e eles vivem um intenso e inesperado romance que trará mudanças para a vida de ambos.

Novelão mexicano brabo. Previsível, esquemático, repleto de clichês do primeiro ao último fotograma. Chega a ser constrangedor o modo como os personagens caem de amores um pelo outro em meio ao temporal. E o mais estranho é que eles trocam as mais exuberantes juras de amor, mas não conseguem transmitir o sentimento. São apenas palavras ao vento em um filme morno, que piora com o desfecho melodramático e previsível. Os personagens são mal-delineados, rasos, banais. Um exemplo disso é a filha adolescente de Adrienne, que é uma revoltada insuportável o filme inteiro e no final vira um anjinho ao saber que o pai traía a mãe.

E ainda tem o fator Richard Gere... Gere consegue interpretar bem, mas quando quer (ou quando é bem dirigido, sei lá). O galã grisalho estava ótimo em Chicago e melhor ainda em O Vigarista do Ano. Mas, em compensação, quando o cara resolve atuar no piloto automático como neste filme aqui... É duro de aguentar. É um tal de dar aquela paradinha de lado e apertar os olhinhos para demonstrar sofrimento que chega a ser cômico. Diane Lane está melhor, mas também tem seus rompantes de overacting e não é ajudada nem um pouco pelos diálogos cafonas.


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FILME: Sereia ORIGINAL: Rusalka PAÍS/ANO: Rússia, 2007
DIRETORA: Anna Melikyan DURAÇÃO: 115min
ELENCO: Masha Shalaeva, Yevgeniy Tsyganov, Maria Sokova NOTA: 8,0
Mostra Expectativa

SEREIA

Alisa é uma garota cheia de imaginação, que mora numa cidadezinha litorânea com a mãe e a avó e está convencida de ter o poder de transformar desejos em realidade. Aos seis anos, ela resolve parar de falar e é transferida para uma escola especial. Aos dezessete, a família se muda para Moscou e a descoberta do primeiro amor faz com que ela volte a se comunicar. Filme vencedor do prêmio de melhor direção na categoria World Cinema do Festival de Sundance deste ano.

Um filme muito imaginativo e nada convencional, com uma linguagem bastante onírica. Alternando poesia, humor e muita bizarrice, Sereia é todo pautado pela ótica da protagonista. Ela é doce e meiga, mas também possuidora de uma determinação homicida que só não chega a chocar por conta do tom de fábula da história. Destaque para o modo como ela consegue classificação para um curso. Aliás, um curso ao qual ela nunca vai e que nunca ficamos sabendo do que se trata. Mas não tem importância, também. O que vale é a relação da garota com seus sonhos. Alguns conceitos visuais tiram grande efeito de idéias aparentemente simples, como as brincadeiras referentes ao painel publicitário que cobre um dos lados do prédio de Alisa.

Alisa, interpretada pela excelente e exótica Masha Shalaeva, é uma espécie de Amélie Poulain mais psicodélica, uma personagem com um mundo interior tão particular e tão convicta de suas próprias fantasias que seu comportamento beira o autismo. E o filme é como uma obra de arte plástica: não adianta ficar explicando muito. É para ver, sentir e se identificar. Ou não. Porque isso vai depender muito do grau de aceitação do espectador perante sua linguagem, muito próxima do teatro do absurdo. Isso pode afastar alguns, mas certamente vai encantar outros. E conseguir navegar pelo não-convencional sem parecer pretensioso ou hermético é sempre um ponto positivo.

Sereia é o segundo longa da diretora Anna Melikyan, que também assina o roteiro. Ainda não é aquele filme que eu classificaria de grande destaque do Festival, mas até agora foi o que mais se aproximou disso.


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FILME: Soi Cowboy ORIGINAL: Soi Cowboy PAÍS/ANO: Tailândia / Reino Unido, 2008.
DIRETOR: Thomas Clay DURAÇÃO: 117min
ELENCO: Nicolas Bro, Pimwalee Thampanyasan, Petch Mekoh, Natee Srimanta NOTA: 3,0
Foco UK

SOI COWBOY

A jovem Koi se considera uma privilegiada por ter conhecido Toby, um europeu que a tirou da zona de meretrício da cidade – a Soi Cowboy do título. Agora ela está grávida e faz planos de casamento. O único problema é a incompatibilidade sexual, que faz com que as relações sejam um suplício para ela. Exibido no Festival de Cannes 2008.

O filme, em preto-e-branco, começa com ares de ultra-realismo, mostrando a rotina e a incomunicabilidade entre o casal. Embora seja evidente o carinho de Toby por Koi, ele também parece um pouco exasperado pelo temperamento tranquilo da garota. Já ela tenta por todas as maneiras evitá-lo na cama, e chora silenciosamente quando não o consegue. Um clima sufocante, realçado pelo fato do primeiro diálogo do longa acontecer após vinte minutos de projeção. Algumas cenas se desenrolam em tempo real, mostrando a angústia silenciosa de dois solitários que preferem aquilo ao abandono. Claro que ritmo narrativo não é o forte do filme, que se detém em tomadas inexplicáveis como, por exemplo, um longo close de uma torradeira. Mas, apesar disso, o filme cria uma certa expectativa.

Passa-se uma hora e meia de filme. Toby e Koi continuam coexistindo, agora passando alguns dias a passeio em uma cidadezinha turística tailandesa. Descobrimos um pouco mais sobre cada um. Ela teme que ele não cumpra sua promessa de casamento, o que significaria voltar aos tempos de necessidade. Ele tem negócios que controla por telefone que não sabemos exatamente quais são.

É quando, do nada, aparecem imagens coloridas na tela. Chega a doer os olhos, depois de tanto tempo de P&B. E eis que a meia hora final do longa apresenta uma trama de mafiosos que não tem absolutamente nada a ver com a história a que estávamos assistindo. Embora o foco agora seja outro, Koi e Toby também estão presentes. Só que não parecem ser os mesmos personagens. O que seria esse trecho final? Flashback? Realidade alternativa? A Matrix tailandesa?

O filme ainda é o responsável por uma das sequências mais esquizofrênicas desse Festival (ainda em sua porção neo-realista). Toby e Koi entram em um elevador. Logo em seguida, surge uma velhinha se locomovendo em um andador. Chegando em seu andar, ela sai e a câmera abandona os protagonistas para segui-la por um extenso corredor escuro. E os espectadores ficam vários minutos olhando a velhinha (que não aparece mais na história) arrastando o andador lentamente. E quando chega ao fim do corredor... ela dá meia-volta! Eu estou certa de que o diretor tinha uma metáfora genial em mente, pena que só ele sacou.


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