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| » especial | festival do rio 2008 |

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:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: : |
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| .: Acesse outros críticos .: |
| FILME: Pan-Cinema Permanente |
ORIGINAL: Pan-Cinema Permanente |
PAÍS/ANO: Brasi, 2008 |
| DIRETOR: Carlos Nader |
DURAÇÃO: 83min |
| GÊNERO: DOCUMENTÁRIO |
NOTA: 7,0 |
| Mostra Première Brasil (Hors-Concours Longas Doc) |
PAN-CINEMA PERMANENTE
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Documentário sobre o poeta baiano Waly Salomão, um homem acostumado a teatralizar a sua própria vida. O filme conta com depoimentos de Antonio Cícero, Caetano Veloso, Regina Casé e Susana de Morais, dentre outros. O diretor do longa, Carlos Nader, filmou episódios da vida de Waly por quase 15 anos.
Simpaticíssima homenagem a Waly Salomão. O documentário não tem um foco específico, é mais um mosaico das idéias, poemas e, sobretudo, da figura ímpar do próprio Waly. Dramático e extrovertido por natureza, o poeta transformava qualquer conversa banal em algo original como acontece, por exemplo, na cena em que ele discorre sobre a acidez de pepinos e azeitonas num café parisiense. O diretor Nader optou por não ficar inventando muito e deixou o show por conta deste curioso intelectual que muita gente conhecia mais de nome do que em pessoa. O filme tem como grande mérito esclarecer e eternizar um artista cuja personalidade exuberante transcende o próprio trabalho. O momento mais impagável, sem dúvida, é a entrevista que ele concedeu à TV síria quando esteve no país. Não dá pra esquecer a expressão perplexa do entrevistador enquanto Waly entoa “ó, abelha rainha, faz de mim...”.
Um atrativo extra nas sessões do filme é o curta que o antecede, o divertido Tira os Óculos e Recolhe o Homem. Nele, Jards Macalé e Moreira da Silva fazem uma teatralização surreal e bem kitsch do episódio que inspirou a música.
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| FILME: Queime Depois de Ler |
ORIGINAL: Burn After Reading |
PAÍS/ANO: EUA, 2008 |
| DIRETOR: Joel Coen e Ethan Coen |
DURAÇÃO: 96min |
| ELENCO: George Clooney, Frances McDormand, Brad Pitt, Tilda Swinton, John Malkovich |
NOTA: 9,0 |
| Mostra Panorama |
QUEIME DEPOIS DE LER
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Ao ser demitido da CIA por causa de seu alcoolismo, Osborne Cox decide escrever um livro revelando segredos da agência. O CD acaba caindo nas mãos de Linda e Chad, dois funcionários de uma academia que acreditam ter algo muito valioso nas mãos. Como Linda só pensa em arrumar dinheiro para pagar as inúmeras cirurgias plásticas que sonha fazer, os dois resolvem chantagear Cox. No meio da confusão está o segurança Harry Pfarrer, conquistador inveterado que é amante de Linda e também da ex-mulher de Cox.
Comédia tresloucada, cheia de personagens histéricos e com atuações intencionalmente exageradas. Neste filme, os Coen não parecem ambicionar nenhum objetivo artístico mais elevado, apenas divertir o público. E é justamente por isso que o filme é tão sensacional. A trama movimentada apresenta uma situação hilária a cada minuto e dá a impressão de ser um grande sarro com filmes de espionagem no estilo A Identidade Bourne ou até mesmo com o filme anterior deles, o premiado Onde os Fracos Não Têm Vez. Mais uma vez, temos vários personagens correndo atrás de determinada coisa. Só que agora, ao invés de uma concreta mala cheia de dinheiro, o objeto em questão é um CD que não tem absolutamente nenhum valor. Parece até um dos famosos “McGuffin” utilizados pelo mestre Hitchcock (objeto que alavanca a trama, mas não tem nenhuma importância real).
Com seu habitual talento para criar tipos bizarros, os Coen apresentam pérolas como a mulher tão obcecada com a perfeição física que fará de tudo para obter o dinheiro para se “reinventar”, como ela mesma define; ou o segurança que tira onda de machão, mas se comporta como uma dona-de-casa lacrimosa quando as pessoas dizem o que ele não quer ouvir. Também a quantidade de temas – além da trama de pseudo-espionagem, é claro – é farta, de namoros virtuais à obsessão das pessoas com a aparência.
Também há o atrativo inusitado de ver os habituais galãs Brad Pitt e George Clooney interpretando dois imbecis atrapalhados. Clooney inclusive lembra outro personagem dele em um filme dos manos, o Everett Ulysses McGill de E Aí, Meu irmão Cadê Você?, já que ambos têm o mesmo charme pateta e cada um tem uma mania esquisita (com Everett, era o cuidado psicótico com o cabelo; já Harry é obcecado em se exercitar, mesmo nas horas mais inconvenientes). Mas o melhor de todos no excelente elenco é Brad Pitt, como um idiota animadinho. Prestem atenção na cena da chantagem ao telefone e também nas caras que ele faz em seu encontro com Malkovich. É de chorar de rir. Completam o elenco de primeiríssima linha Frances McDormand (com um visual bem diferente do habitual), Richard Jenkins, J. K. Simmons, John Malkovich e Tilda Swinton – esses últimos formam um dos casais mais freak já vistos no cinema.
Queime Depois de Ler é daqueles filmes que divertem tanto o espectador que dá até pena quando acaba. Uma delícia!
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| FILME: Sanguepazzo |
ORIGINAL: Sanguepazzo |
PAÍS/ANO: Itália / França, 2008 |
| DIRETOR: Marco Tullio Giordana |
DURAÇÃO: 148min |
| ELENCO: Monica Bellucci, Luca Zingaretti, Alessio Boni, Maurizio Donadoaria Onetto, Claudia Cantero, César Bordon, Daniel Genoud. |
NOTA: 8,0 |
| Mostra Panorama |
SANGUEPAZZO
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O filme conta o trágico destino de Osvaldo Valenti e Luisa Ferida, famoso casal de atores executado pelas forças de libertação no fim da Segunda Guerra. Apesar de não serem a princípio envolvidos com política, Osvaldo e Luisa foram sendo identificados cada vez mais com o regime fascista por conta do estilo de filmes pró-regime que faziam e das pessoas com as quais andavam. Mesmo sem nenhuma prova concreta, o casal foi executado em abril de 1945 como uma punição exemplar para os colaboracionistas.
O filme, exibido no Festival de Cannes deste ano, segue duas abordagens distintas: o cenário histórico e político de um país mergulhado no autoritarismo e na guerra e a história do relacionamento destrutivo que unia os dois personagens principais. Uma desastrada união que prejudicou principalmente Luisa, arrastada para acordos escusos e companhias duvidosas pelos vícios de Osvaldo. A personagem, como muitas mulheres, poderia ter escolhido qualquer um. Mas a bela foi se encantar justamente com a fera.
O interesse que o filme desperta como relato histórico vai além da política: também é um fascinante retrato do cinema italiano da época, tendo até algumas referências bem diretas, como quando um personagem menciona o filme que Roberto Rosselini está rodando (Roma, Cidade Aberta). Outra cena memorável é quando Osvaldo está filmando Ricardo III e grita a famosa fala “meu reino por um cavalo!” da maneira mais canastrona possível. Na vida real, o casal fez dezenas de filmes durante os anos de guerra. Aproveitaram-se da ocasião sim, mas daí a serem considerados pessoas de alta periculosidade vai uma grande diferença.
Luca Zingaretti está muito bem como Osvaldo Valenti, um sujeito falastrão e animado na mesma medida em que se afundava na depressão causada pelas drogas ou pela abstinência delas. Um personagem que deveria ser antipático, mas que o ator consegue dotar de uma dose de carisma. Destaque para a cena em que ele resolve confrontar no set a atriz de quinta que é amante de um alto político. Já Monica Bellucci está belíssima como sempre. O que é um paradoxo, já que sua beleza é tão excessiva que sempre acaba por submergir a boa atriz que ela também é.
O diretor Marco Tullio Giordana teve um filme mostrado no Festival do Rio de 2005, Quando Sei Nato Non Puoi Più Nasconderti, um drama sobre um garoto de classe média italiano e sua amizade com dois adolescentes romenos. Com Sanguepazzo, Giordana parte para um patamar mais ambicioso e se sai muito bem na missão. O único ponto fraco do filme é pesar a mão demais no melodrama em determinadas cenas, em especial as que se passam no cativeiro e também em algumas brigas do casal. Mas tudo bem, não chega a soar apelativo. Afinal de contas, eles eram italianos.
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| FILME: O Último Reduto |
ORIGINAL: Dernier Maquis |
PAÍS/ANO: França / Algéria, 2008 |
| DIRETOR: Rabah Ameur-Zaïmeche |
DURAÇÃO: 93min |
| ELENCO: Salim Ameur-Zaïmeche, Abel Jafri, Sylvain Roume, Christian Milia-Darmezin, Rabah Ameur-Zaïmeche |
NOTA: 5,0 |
| Mostra Expectativa |
O ÚLTIMO REDUTO
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Numa região decadente próxima a Paris, o imigrante muçulmano Mao possui uma empresa (conserto de caminhões e/ou transporte, isso não fica bem claro). Ele explora os funcionários e tenta mascarar a negligência de suas obrigações trabalhistas concedendo benefícios como uma mesquita que manda construir na empresa. O que também é uma forma de pressionar a conversão de todos ao Islã. Quando ele impõe um líder espiritual de sua escolha, alguns funcionários começam a questionar a autoridade absoluta do patrão. Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2008.
O filme começa muito lento, com dois muçulmanos levando um papo sobre religião. Achei mau sinal aquilo. Logo a seguir, uma cena de impacto: depois de ser atormentado pelos colegas trabalho, que não o consideram um “bom muçulmano”, um homem entra no banheiro e tenta fazer uma circuncisão nele mesmo. Depois ainda tenta convencer o supervisor a considerar o fato acidente de trabalho. Epa! Não é que ficou interessante?
A questão de misturar ambiente de trabalho com religião e a campanha do chefe para converter seu pequeno rebanho de funcionários também é bastante original, ainda mais considerando que esse mesmo patrão tão religioso não tem pena de seus irmãos na hora de cortar despesas. Mas o filme não consegue manter o nível de interesse em alta e falta-lhe também um pouco de foco, um encadeamento melhor de roteiro. Digamos que seja um filme médio com bons momentos isolados. O que piora um pouco a média é o final ser extremamente sem graça e os atores serem muito, muito fracos.
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