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:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: :
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FILME: A Duquesa ORIGINAL: The Duchess PAÍS/ANO: Reino Unido, 2008
DIRETOR: Saul Dibb DURAÇÃO: 109min
ELENCO: Keira Knightley, Ralph Fiennes, Charlotte Rampling, Dominic Cooper, Hayley Atwell NOTA: 5,5

Foco UK

A DUQUESA

Filme baseado na biografia de Georgiana Spencer, Duquesa de Devonshire (e ancestral de Lady Di), que casou-se no fim do século XVIII com o riquíssimo Duque de Devonshire. Jovem, bonita e carismática, Georgiana era uma figura de grande influência popular, ao contrário de seu taciturno marido. Na vida privada, sofria a intensa pressão para gerar um herdeiro – único interesse real do Duque por ela – e vivia um amor proibido com um político de esquerda.

Conforme já citado no texto sobre Na Mira do Chefe, filmes como A Duquesa representam o que há de mais tradicional no cinema britânico. Filmes de época, inspirados nos amores e desventuras entre nobres e/ou plebeus que culminam em grandes tragédias ou grandes renúncias. A cartilha reza por fotografia deslumbrante, cenários idem, figurinos riquíssimos, música grandiloqüente e um certo overacting por parte do elenco como um todo. Tudo muito bonito e dramático. E, na maioria das vezes, chato.

A Duquesa não é dos piores, mas tampouco apresenta algum brilho especial. É um filme sem surpresas, em que o espectador sabe exatamente o que está levando. Keira Knightley está se especializando em papéis do gênero, e anda se dando bem em premiações por conta disso – o que eu sempre achei um exagero. Neste filme, ela parece ter perdido o ar de menina coquete e, pelo menos, demonstra um pouco mais de maturidade por baixo dos penteados estilo Maria Antonieta. Ralph Fiennes e Charlotte Rampling estão bem em seus papéis, mas esses são competentes sem esforço mesmo.

No mais, é um filme apenas correto para quem aprecia romances de época. O que não combina muito com o discurso exaltado dos apoiadores britânicos do Festival antes da sessão em que eu o assisti. Um deles disse que o filme é “provocador” (nota-se uma certa intenção nesse sentido, mas nada que chegue a ser ousado). Outro, que ele é o atual campeão de bilheteria na Inglaterra. Enfim... Talvez os ingleses ainda sejam mais adeptos da velha escola cinematográfica.


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FILME: Na Mira do Chefe ORIGINAL: In Bruges PAÍS/ANO: Reino Unido , 2007
DIRETOR: Martin McDonagh DURAÇÃO: 107min
ELENCO: Colin Farrell, Brendan Gleeson, Ralph Fiennes, Clémence Poésy, Jérémie Rénier NOTA: 7,0
Foco UK

NA MIRA DO CHEFE

Os matadores de aluguel Ray e Ken são mandados pelo chefão Harry para passar uns dias em Bruges, cidadezinha turística da Bélgica, depois que Ray faz uma grande besteira logo em seu primeiro “serviço”. Enquanto Ken parece adorar a idéia de tirar umas férias, Ray está impaciente e reclama de tudo e todos, ansioso pelo telefonema que os chamará de volta a Londres. Ken também acredita que deve haver algum outro motivo para os dois terem sido enviados para lá.

Confesso que o filme entrou na minha grade como “tapa-buraco” e ainda me causou uma certa desconfiança ver o nome de Colin Farrell liderando os créditos. Mas meus temores se mostraram infundados: o anárquico In Bruges (no original) é bom divertimento apesar da canastrice do irlandês. Bem coadjuvado por Brendan Gleeson e ainda tendo o luxo de contar com a participação de Ralph Fiennes, Farrell até que não faz feio. Seu personagem é uma verdadeira roleta-russa: mau-humorado, encrenqueiro e politicamente incorreto, daqueles que tiram sarro de anão e puxam briga com turistas obesos.

Assim como o outro filme inglês visto hoje, A Duquesa (por coincidência, os dois têm Ralph Fiennes no elenco), Na Mira do Chefe é um típico representante do cinema inglês. Mas de uma maneira inversa. Enquanto A Duquesa simboliza a tradição clássica (e meio enfadonha) celebrizada por cineastas como James Ivory, Na Mira do Chefe é o retrato de uma outra vertente de cinema britânico, mais ágil e moderno, que conta histórias de malandros charmosos e suas confusões através de um roteiro com muita ação, piadas inteligentes e boa dose de humor negro – o estilo que fez a fama de Guy Ritchie.

Este é o primeiro longa do diretor Martin McDonagh. Antes disso, ele fez apenas um curta... e ganhou um Oscar com ele (Six Shooter, Oscar de melhor curta em 2006). Vamos ficar de olho nos próximos trabalhos do cara.


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