|
|
|
|
|
|
| » especial | festival do rio 2008 |

|

:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: : |
|
|
|
|
| .: Acesse outros críticos .: |
| FILME: Vingança |
ORIGINAL: Vingança |
PAÍS/ANO: Brasil, 2008 |
| DIRETOR: Paulo Pons |
DURAÇÃO: 102min |
| ELENCO: Erom Cordeiro, Branca Messina, Barbara Borges, Marcio Kieling, Guta Stresser |
NOTA: 7,0 |
Mostra Première Brasil |
VINGANÇA
 |
|
Em uma pequena cidade gaúcha, uma garota é violentada e espancada. No Rio de Janeiro, o misterioso Miguel desembarca de um ônibus e parece ter um objetivo muito claro em mente ao espreitar a gatinha de praia Carol. Os dois iniciam um relacionamento tenso e apaixonado, embora Miguel faça de tudo para não revelar quem é nem o que está fazendo na cidade.
Vingança é um filme diferente, com uma tensão muito presente da primeira à última cena. A violência é muito mais latente do que presente, tanto que nos momentos em que ela ocorre causa menos impacto do que a forte sensação de algo pairando no ar. O filme retoma um tema bem clássico – a lavagem da honra com sangue – e o insere dentro de um contexto contemporâneo. E o legal é que algo tão arcaico fica bastante possível dentro daquele universo de “macheza gaúcha” representado principalmente através do personagem de José de Abreu. Fica claro que aquele homem controla os empregados e a família (conceitos que se misturam no caso de Miguel) com o mesmo pulso com que controla seu gado.
O elenco parece um pouco inseguro no início, mas depois vai ganhando força. O personagem de Erom Cordeiro, com seu jeito calado de matuto e o olhar inquieto que demonstra uma esperteza sub-aproveitada, é a mola propulsora do filme. Manipulado em seus brios e empurrado para a desgraça como “boi de piranha” para satisfazer a sede de sangue daqueles que não querem se sujar, o personagem tem um quê de herói trágico que contrasta com a leveza e inconseqüência de Carol, personagem da bonitinha Branca Messina (como essa menina se parece com a Giovanna Antonelli!).
O roteiro peca por algumas soluções que parecem forçadas, como o motivo que obriga Miguel a se aproximar de Carol primeiro ao invés de seguir direto para seu objetivo. Afinal de contas, não seria nada difícil abordar diretamente a questão que lhe interessava. Mas também se não fosse desse jeito não teríamos filme, não é mesmo? Algumas situações que não são bem explicadas (como a história da foto de Bruno em um jornal) ficam em segundo plano, ainda mais se considerarmos que, já em seu primeiro filme, o diretor e roteirista Paulo Pons conseguiu um feito por vezes raro na sétima arte brasileira: realizar um filme que não pareça uma colagem de tudo que anda fazendo sucesso por aí.
Um atrativo a mais nas sessões deste Festival é poder assistir também ao simpático e romântico Um, curta apresentado antes de Vingança.
Ir para todas as críticas do Festival | Voltar ao filme |
| FILME: Todos os Meus Fracassos Sexuais |
ORIGINAL: A Complete History of My Sexual Failures |
PAÍS/ANO: Reino Unido , 2007 |
| DIRETOR: Chris Waitt |
DURAÇÃO 80min |
| ELENCO: Julia Ormond, Bill Pullman, Pell James, Ryan Simpkins, Cheri Oteri, French Stewart, Kent Harper |
NOTA: 4,0 |
Mostra Midnight Movies |
Todos os Meus Fracassos Sexuais
 |
|
É incrível a que ponto as pessoas chegam para descolar verba para um filme. Usar o próprio umbigo como tema de um documentário não é idéia nova, já foi feito pelo cara que queria (e conseguiu) um encontro com Drew Barrymore. Já o inglês Chris Waitt resolveu colocar em película seu fracasso com o sexo oposto, desse modo piorando ainda mais suas chances de sucesso nesta área (ou não, algumas mulheres são realmente loucas). Bom, o título acima dispensa maiores explicações sobre o tema em questão.
O filme é mais um making of sobre as dificuldades de Chris em colher material para seu filme do que um documentário de verdade. O cara põe na cabeça que vai atrás de todas as garotas que já lhe deram um fora para tentar entender o que há de errado com ele (sim, você já viu esse argumento antes em Alta Fidelidade). O problema é que as garotas não querem falar, todas o detestam. Uma delas chega a dizer que tem ânsias de vômito só de pensar nele.
OK, a idéia tem seus momentos de graça. Mas o assunto se esgota muito rapidamente por falta de fontes. E aí é hora de partir para todo tipo de apelação: Chris marca encontros pelo MySpace, busca tratamentos e terapias para resolver seus problemas de ereção, tenta se excitar com uma dominatrix, etc. Quando percebemos, o filme vira muito mais uma série de consultas públicas com diferentes tipos de profissionais do que uma análise do porquê de seus relacionamentos terem fracassado. Mesmo porque o difícil não é entender porque as garotas o abandonaram e sim porque algum dia quiseram ficar com ele. Chris é imaturo, não trabalha, mora num pardieiro, tem aparência desleixada e pouco higiênica e, como se esses horrores não fossem o bastante, ainda sofre de impotência. Pior do que isso tudo ainda é sua absoluta falta de capacidade de manter uma conversa inteligente. Quem precisa fazer um filme para descobrir o motivo de sua vida sexual ser um fracasso?
Ir para todas as críticas do Festival | Voltar ao filme |
| FILME: Rainhas |
ORIGINAL: Rainhas |
PAÍS/ANO: Brasil, 2007 |
| DIRETOR: Fernanda Tornaghi e Ricardo Bruno |
DURAÇÃO: 75min |
| ELENCO: |
NOTA: 6,0 |
| Mostra Mundo Gay |
RAINHAS
Documentário abordando as particularidades e bastidores do concurso de Miss Brasil Gay. O foco principal é Fábio, um cabeleireiro de Rondônia que vem para o Rio sonhando vencer o concurso.
O principal fator de curiosidade do longa é mostrar um universo meio desconhecido para o grande público e o quanto o evento representa para a comunidade gay. Interessante também descobrir que a principal característica do concurso é não aceitar travestis, apenas rapazes que se vestem de mulher. Ou seja, não vale “trapacear” já tendo no corpo atributos físicos femininos como implantes ou hormônios, a proposta é justamente criar a imagem feminina através de recursos como enchimentos, perucas e maquiagem.
Outro destaque é o casal entrevistado, Fábio (Michelle Honda na passarela) e seu namorado Junior. Simpáticos, os dois contam um pouco da dificuldade de assumir um relacionamento estável com outro homem em Porto Velho. Chama atenção, ainda, o carinho e admiração de Junior por Fábio e o modo como ele apóia incondicionalmente seu sonho de vencer o concurso. Sempre com palavras positivas, acreditando e torcendo pelo namorado tanto quanto uma verdadeira “mãe de miss”. Muito bacana.
O que atrapalha bastante a boa percepção do longa é uma certa precariedade em termos de som, em várias seqüências excessivamente alto e distorcido. Considerando que isso não ocorre no filme inteiro, é evidente que não se pode culpar a sala de exibição e sim a mixagem de som do filme em si.
Legal mesmo foi ver Michelle na sessão, vestida a caráter, com faixa e tudo.
Ir para todas as críticas do Festival | Voltar ao filme |
| FILME: Adoração |
ORIGINAL: Adoration |
PAÍS/ANO: Canadá, 2007 |
| DIRETOR: Atom Egoyan |
DURAÇÃO: 100min |
| ELENCO: Arsinée Khanjian, Scott Speedman, Rachel Blanchard, Noam Jenkins, Devon Bostick |
NOTA: 5,0 |
| Mostra Première Latina |
ADORAÇÃO
 |
|
Sabine, professora de francês, pede a seus alunos que traduzam uma reportagem sobre um terrorista que usou a namorada grávida como bomba humana. Simon, adolescente solitário que perdeu os pais em um acidente de carro, escreve um texto misturando a tragédia do jornal com seus próprios traumas familiares e o que era apenas um exercício literário ganha proporções enormes. Exibido em competição no Festival de Cannes 2008.
Adoração tem, a meu ver, dois principais pontos fracos: o fato de apoiar grande parte de sua carga emocional em um ator que não dá conta do recado (o inexpressivo Devon Bostick no papel de Simon) e também a pouca credibilidade das ações da personagem da professora (aqui, o que incomodou foi a personagem em si e não a atriz). Eu simplesmente não consigo acreditar em Sabine e em seus joguinhos neuróticos, mesmo porque ela é representada no contexto do filme como uma pessoa ciente de suas ações. Sua aparição disfarçada perante o tio de Simon com aquele discurso sobre o Natal é, no mínimo, desconexa. Ao final, ela simplesmente se justifica dizendo que tem “atitudes estranhas”. Não convence.
No mais, a história tem seus altos e baixos e se desenvolve em um ritmo lento que não consegue empolgar em nenhum momento. Apenas razoável.
Ir para todas as críticas do Festival | Voltar ao filme Páginas:
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | |
|
|
|
|
|
|
|
|