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| » especial | festival do rio 2008 |

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:: :: :: : ÉRIKA LIPORACI : :: ::: :::: ::::: :::: ::: :: : |
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| FILME: Rebobine, por favor |
ORIGINAL: Be Kind Rewind |
PAÍS/ANO: EUA, 2008 |
| DIRETOR: Michel Gondry |
DURAÇÃO: 102min |
| ELENCO: Jack Black, Mos Def, Danny Glover, Mia Farrow |
NOTA: 8,0 |
Mostra Panorama |
REBOBINE, POR FAVOR
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Mike trabalha na locadora de vídeo do Sr Fletcher, um saudosista que se recusa a aderir aos DVD's. O melhor amigo de Mike é Jerry, um mecânico com tendências subversivas que sofre um acidente ao promover um atentado em uma usina e, com o corpo magnetizado, apaga acidentalmente as fitas de vídeo da locadora. Para que o patrão não descubra, os dois decidem refilmar as fitas pedidas pelos clientes e criam versões caseiras de filmes como A Hora do Rush, Conduzindo Miss Daisy e Os Caça-Fantasmas.
Considerando que seus dois últimos trabalhos foram filmes bastante singelos e poéticos (Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças e Sonhando Acordado, que passou no Festival do ano passado e nunca estreou em circuito), não deixa de ser surpreendente que o francês Michel Gondry agora parta para uma comédia tresloucada. A história faz rir não apenas pelas versões esculachadas de clássicos do cinema de todos os tempos, mas também pelo ótimo timing para comédia do elenco, liderado por essa metralhadora giratória de piadas chamada Jack Black. E as soluções esdrúxulas para realizar de forma tosca o que custa milhões ao grandes estúdios também são um show à parte. Exemplos? Colocar uma pizza cheia de molho de tomate debaixo da cabeça do ator que acabou de levar um tiro. Ou usar a frente de um caminhão de brinquedo como nariz do King Kong. As idéias são de fazer inveja a Ed Wood.
Mas, por outro lado, há mais do que meras risadas no filme. Está muito presente também na trama o amor sincero pelo cinema, a vontade de realizar uma obra (independente da qualidade da mesma, é claro) e também a relação entre astros e público. Uma belíssima cena é a que mostra a projeção do filme sobre o cantor de jazz, uma boa demonstração do quanto a arte ainda tem o poder de unir as pessoas e transpor barreiras. Há, ainda, uma homenagem à tradição oral, aos contadores de histórias, representados no personagem de Danny Glover. Afinal de contas, já disse John Ford que “quando a lenda é mais interessante do que o fato, deve-se imprimir a lenda”.
Rebobine, Por Favor é um filme muito bacana, que deve divertir cinéfilos de todas as idades.
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| FILME: Waltz with Bashir |
ORIGINAL: Wals im Bashir |
PAÍS/ANO: Israel/França/Alemanha, 2006 |
| DIRETOR: Ari Folman |
DURAÇÃO 87min |
| ELENCO: |
NOTA: 4,0 |
Mostra Panorama |
Waltz With Bashir
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O diretor Ari Folman, em versão animada, conversa com um velho amigo do exército em um bar. Este lhe conta sobre um sonho recorrente, em que ambos são perseguidos por cães raivosos, e acredita que a imagem tem relação com a experiência deles no exército israelense durante a Guerra do Líbano (anos 80). Ari descobre, então, que não consegue se lembrar desse período e inicia uma jornada para resgatar sua memória, através de encontros com os amigos da época. Exibido em Competição no Festival de Cannes 2008.
O longa utiliza a mesma técnica de animação celebrizada por Richard Linklater em Waking Life e O Homem Duplo, a rotoscopia. Basicamente, as cenas filmadas com os atores são reproduzidas depois em animação computadorizada, com um grande nível de detalhamento da expressão facial e dos movimentos dos atores originais. É um filme muito interessante esteticamente, mas que não funciona tão bem em termos de ritmo e roteiro. Passado o encantamento inicial com o visual do filme, o que sobra é uma longa viagem do protagonista em busca de suas memórias perdidas. É cansativo, desinteressante e faz um longa que não chega a uma hora e meia de duração parecer ter o dobro disso.
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| FILME: A Boa Vida |
ORIGINAL: La Buena Vida |
PAÍS/ANO: Chile / Argentina / Espanha / França, 2008 |
| DIRETOR: Andrés Wood |
DURAÇÃO: 90min |
| ELENCO: Aline Kupenheim, Manuela Martelli, Eduardo Paxeco |
NOTA: 6,0 |
| Mostra Première Latina |
A BOA VIDA
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A psicóloga Teresa trabalha conscientizando prostitutas sobre sexo seguro, mas é a última a saber que a filha de 15 anos engravidou; Edmundo é um cabeleireiro que ainda vive com a mãe e tem como sonho de consumo máximo comprar um Ford Fiesta; Mario é um músico talentoso, mas sempre perde a vaga na Filarmônica para apadrinhados. Os personagens não se conhecem, embora seus caminhos se entrecruzem pela cidade de Santiago, no Chile.
Um filme simpático, bem dirigido e com alguns bons momentos de humor. O roteiro faz o estilo mosaico, com várias tramas paralelas que têm como unidade temática o fato de todos serem habitantes de classe média da cidade chilena. Um olhar sobre o cidadão comum, com seus sonhos prosaicos, problemas cotidianos, pequenas neuroses. Cumpre bem sua função de distrair, embora não acrescente muita coisa ao espectador e nem à filmografia do diretor Andrés Wood, que tem como longa anterior o pungente Machuca (2004).
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