História bem contada
O Contador de Histórias, que estreia
no dia 07 de agosto, apresenta a vida de Roberto Carlos
Ramos, considerado um dos dez maiores contadores de histórias
do mundo. A película de Luiz Villaça é
rica, pois dispõe de uma história fantástica
muito bem conduzida na telona.
Aos seis anos, Roberto Carlos Ramos
é internado por sua mãe em uma instituição
para menores carentes em Belo Horizonte, que, segundo uma
propaganda da TV, preparava crianças para serem ‘médicos,
advogados, engenheiros’. Dotado de imaginação
fértil, chega aos 13 anos analfabeto, com mais de
100 fugas no currículo, várias infrações
e o diagnóstico de irrecuperável. O encontro
com uma pedagoga francesa muda, para sempre, a vida de Roberto.
Apesar de toda a violência pela
qual passa, que é mostrada sem eufemismos, o filme
leva-nos pela vida fantástica deste menino que era
considerado irrecuperável, mas que mudou completamente
ao encontrar o afeto de uma pedagoga francesa que estava
fazendo uma pesquisa no Brasil.
Há passagens deliciosas, como
a história da caneta que assinou a Lei Áurea,
na participação de Chico Diaz, que conclui
com uma afirmação para lá de acertada
da personagem da portuguesa afrancesada Maria de Medeiros.
A cena do banco é impagável; conseguem imaginar
um assalto a banco feito pelos Jackson 5 e família?
Aliás, são várias as cenas que podem
calar fundo no coração e fazer os olhos verterem
lágrimas de alegria e de tristeza.
Fico envergonhado em admitir que
nunca havia ouvido falar neste Roberto Carlos, mas, ao ler
a entrevista de Luiz Villaça, fiquei mais tranquilo:
Em janeiro de 2002, coloquei meu filho Nino, então
com três anos, para dormir e comecei a ler um livro
que ele ganhara de Natal: O Contador de Histórias,
de Roberto Carlos Ramos. Era um livro de histórias
e na última página encontrei um resumo da
vida do autor, de quem nunca tinha ouvido falar. Fiquei
completamente tomado. No dia seguinte falei com a Denise,
consegui o telefone do Roberto Carlos com a editora e liguei
para ele. Quando falei da ideia de fazer um filme, ouvi:
“Não estou acreditando. Acabei de chegar de
um congresso de contadores de história nos Estados
Unidos e alguém da platéia me falou, ‘esta
história tem que virar um filme!’. Trouxemos
ele para São Paulo e durante algumas horas, diante
de um gravador, Roberto Carlos contou a sua história,
chorou, nós choramos. Somente depois descobri que
ele já tinha estado no programa do Jô e dado
uma entrevista histórica.
Somos apresentados aos
atores Marco Antonio Ribeiro, Paulo Henrique Mendes e Cleiton
dos Santos da Silva que são Roberto Carlos aos 6,
13 e 20 anos. O primeiro faz a fase inocente para revoltado;
o segundo, a fase irrecuperável para a volta por
cima; o último, além de narrar, representa
a transformação e a busca por saber mais e
por transmitir sua alegria. Todos muito bem, em especial
o menino Paulo Henrique Mendes.
Creio que o grande mérito
do filme é saber contar a história (com trocadilho,
por favor). Seja por meio de um tema musical, seja por meio
de metáforas (maravilhosamente usadas numa cena de
fuga, marcando a transição de uma fase à
outra) ou por meio da sensibilidade que Villaça imprimiu
em toda a película. Tudo bem dosado e bem pesado.
É filme para ser visto e revisto.

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Filme:
O
Contador de Histórias
País/Ano: Brasil/2009
Direção: Luiz
Villaça
Roteiro: Mauricio
Arruda, José Roberto Torero, Mariana Veríssimo e Luiz Villaça
Elenco: Maria
de Medeiros, Malu Galli, Jú Colombo, Marco Antonio Ribeiro, Paulo Henrique Mendes,
Clayton dos Santos da Silva, Victor
Augusto, Chico Diaz.
Data de Estreia: 07/08/2009
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