Mataram Irmã Dorothy
Mataram Irmã Dorothy, documentário de Daniel Jungue, mostra detalhes do julgamento dos envolvidos no assassinato da freira Dorothy Stang, missionária que atuava no Pará a favor da floresta amazônica e dos sem-terra. A Irmã Dorothy tinha 73 anos de idade quando foi morta numa emboscada no dia 12 de fevereiro de 2005, com sete tiros de revólver. A religiosa norte-americana naturalizada brasileira, vivia há mais de 30 anos na região da Transamazônica e tinha sua vida voltada para a defesa dos direitos de trabalhadores rurais contra os interesses de fazendeiros e grileiros da região. Ela trabalhava desde 1972 com um Projeto de Desenvolvimento Sustentável, o PDS, no município da Anapu (PA), e lutava para que cada morador da região tivesse terra para o plantio.

Daniel Jungue, que é americano, resolve vir ao Brasil logo após o assassinato para acompanhar e filmar os preparativos do julgamento. O diretor, já início do documentário, deixa claro que pretende ser imparcial sobre os fatos e que seu único compromisso é com a verdade. Na medida em que o filme passa e os bastidores daquele julgamento são mostrados, um retrato dos tribunais brasileiros vai se formando em nosso imaginário. Tudo lá parece cinema, ou melhor, circo. Os promotores até que se esforçam para sustentar as provas, mas quase sempre são interpelados por uma corja de advogados malfeitores e extremamente debochados. A cada depoimento, a sensação de indignação e repúdio se evidencia. Primeiro, por rejeitarmos veementemente a covardia dos assassinos, depois, por percebermos que o trio maléfico de advogados estão conseguindo enrolar cada um dos jurados da platéia.
O documentário mostra cenas da irmã anda viva e depoimentos de amigos e ativistas da região. Narrado pelo ator Wagner Moura, o filme emociona e acende uma luz para os problemas que afetam aquela parte do Brasil. Ao final do filme, mesmo sabendo da possível impunidade, deixamos a sala com aquele fiozinho de esperança plantado pela missionária Dorothy Stang.

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