O Último Candanga
Caros confessores da net, a partir de agora que estou mudando, estou tão efusivamente entusiasmado que me transformarei no mais abissal ser tecnológico que habita os trópicos selvagens, a Paz Perpétua de Kant habita sua vila no séc XVIII, de onde nunca saiu, lá no mundo desenvolvido e que não polui...
Começarei a reciclagem por vocês, é completamente produtivo trocarmos mensagens por programas de chatt e redes sociais, decorrido algum tempo sei seu nome, onde mora, o que teoricamente faz, sei até da veia que sai na perna, da morte da bezerra do vizinho, se é vegetariana ou não, que fala castelhano e dançou nua em Marguerita ou viajou a Sergipe e trançou um chapéu de palha verde, agachado no chão. O surreal se completa quando nossos contatos vão sumindo mutáveis no Facebook, no pátrio Limão, sei lá o que ainda vão inventar para jogarmos colheita feliz. Meus amigos reais e parentes também aderiram ao aceso nick e lá ficam presos como os demais, sem graça, uma luz verde, laranja ou vermelha, invisíveis ao baluarte das situações e eles quase não vemos mais pessoalmente. Tudo bem, antes da pseudomodernidade ficavam as lembranças de uma infância pura, sem jogar Tibia. Hoje conversamos teclando, trabalhamos teclando. A voz é o barulho morno das teclas (microfone complica de usar, sempre estamos entre vozes paralelas ou ligados na tv ou ouvindo música de mega sites, e câmeras não são para qualquer pessoa). Já imaginaram a idéia artificial que irá arquivar todas as mensagens já postadas, para fazerem uma análise de costumes baseados nos micro textos: que imbecilidade! Quanta arrogância destes americanos metidos a antropólogos da humanidade, alunos yankees mal sabem quantos continentes existem, não aprendem outro idioma ou os nomes de capitais latino-americanas, mas com certeza sabem de cór a cor da calcinha nova da Lady Gaga! Uma completa lavagem cerebral através do pop e esses pagers, iPods, pequenas evoluções que massificam a alienação. Os políticos acharam um instrumento poderoso no tal twitter. E quem sou eu para achar qualquer coisa? Mal leio o manual da multifuncional, do celular que se conecta com Deus, do último word 10 que baixei totalmente em ingles; quando tivermos no windows 17, os macs também serão pingüins na Antártida e a fome graçando, a vida do subúrbio pacata, onde seja, onde estejam os trens, as cercas de arame do campo, interioranos muito mais pacatos e ignorantes, e aí um preconceito da urbis contra as taperas - nós somos os bairristas do medo, do rápido, do bem vestido, do digital, das cremações e cinzas sobre os bueiros frios; nós saindo de elevadores, nossos próprios suicidas, lavando as calçadas com mangueiras, desperdiçando água nos banhos, os pós-doutores em economia, que fizeram teses sobre uma coisa chamada governo, ou Leviatã, que ninguém sabe como controlar. Somos os belos, os laureados concursados na máquina do estado, no Judiciário, familias de políticos em cidades que vêm desde a república velha, usamos notebooks wireless, múltiplos cartoes de consumo e fazemos vistoria anualmente nos carros financiados em leasings, estas são as chamadas “elites”, que a classe média sonha em ver seus filhos perto, que bobagem, o comediante Chaves que estava certo –“ Pão e circo, nada más!” A reboque todas as liberdades burguesas que acreditamos, desde a Revolução Francesa, como palmatória do mundo. Nem sei, esse tolo já quis proibir ar condicionados no clima mais quente e úmido, já quis atolar os tanques na fronteira amazônica, já blasfemou tanta coisa e, às vezes, com razão, nunca chegou a general! Me desculpem os que divergem da hierarquia: general é general, sargento é sargento e boçal é boçal! Está no twitter agora, seu amigo está? Não sei, votamos nele em 2002 e daí? Vieram os mensalões - obrigado crustáceo por ter feito a faxina ética - caiu toda corja dos barbudos sans concours! Óbvio que não repeti o erro, por outro lado não gostava da cara do Serra, acho ele chato e provavelmente o futuro presidente, e daí? Os alunos estão em todo lugar, viva a professora Conceição Tavares! A quem admiro também, tucano observador: esta não quis mais ser palhaça em Brasília, porque a solução lá talvez seja Inutilia Truncat.
Abrazos señor Chavés, escrescência! Bem vindo, pena não poder lhe dar unfollow, babaquice inventada; e esquerda também é um sujeirada só nos cargos, se acham os donos do capitalismo de estado. Melhor tomar um prozack e ir dormir com o casal de lésbicas que adotou a gauchinha.Até meus úteis desconhecidos,vou ler o último twitter. |