O retorno
de um cronista com um texto que deveria ser todo ele sobre
a persistência daqueles que amam
Há dois anos
e meio, o Lung, editor do “Crônicas
Cariocas”, me convidou para escrever crônicas
para essa revista eletrônica a cada 15 dias. Aceitei
de imediato, mesmo sem nunca ter escrito um texto dessa
natureza. Até então, eu escrevia contos e
poesias.
Comecei com um texto que eu mesmo não
gostei cem por cento. O segundo foi sobre o carnaval. Lembro-me
do título: “Arlequins, pierrôs e colombinas,
lá vem o carnaval”. E acho que por se tratar
de um assunto que eu gosto muito (...é carnaval,
diga logo quem é você...), achei essa crônica
bem melhor do que a primeira.
O fato é que de lá pra
cá já se vão dois longos anos e mais
a metade de um, e um punhado de textos: uns bons... outros
nem tanto. Mas independente da qualidade dos escritos por
mim publicados, alguns deles foram responsáveis por
trazer à minha convivência pessoas que se tornaram
grandes amigos. Amizades que tiveram início por causa
de um simples comentário sobre algo que eu havia
escrito.
Porém, tenho andado um pouco
relapso com relação a literatura. Já
não leio com a mesma freqüência de antes
e, talvez por conseqüência indireta disso, tenho
também escrito muito pouco. Basta que os senhores
leitores vejam a data da minha ultima publicação
aqui no Crônicas Cariocas. Fátima Rodrigues,
uma das amizades (uma amiga irmã) que exemplifica
de forma bem clara o que eu disse no parágrafo anterior,
vive me “cobrando” um texto novo. Se eu ainda
tiver dez leitores assíduos como a Fátima
já me dou por satisfeito.
Então, resolvi, por uns instantes,
deixar de lado a edição de um vídeo
que eu estou finalizando (ah, sim, senhores, esse é
o verdadeiro motivo pelo qual tenho lido e escrito menos.
Entrei no mundo do audiovisual e tenho gostado dele. Embora
seja este um mundo que exige dedicação quase
que exclusiva. Mas como eu estou apaixonado pelo mundo dos
vídeos, e o amor faz muito bem, sinto-me feliz) e
escrever sobre algo que não tem nada haver com o
que eu escrevinhei até o final desse parágrafo.
Quando me sentei na frente do computador
para digitar essa crônica, era para escrever sobre
o amor. Mais precisamente sobre como os indivíduos
apaixonados / enamorados são persistentes (ainda
bem). E ainda farei isso, mas de forma bem resumida. Vamos
lá:
Certo dia já muito distante,
um amigo me procurou para perguntar sobre uma tal moça
que trabalhava comigo. Queria saber “qual era a dela”.
Se tinha namorado, se saia de casa à noite nos fins
de semana, do que ela gostava, e outras coisas do tipo.
Ele estava apaixonado. Seus olhos denunciavam isso claramente.
O tempo passou (e como tem passado depressa)
e, graças a tal persistência daqueles que amam
e sonham com o grande amor de suas vidas, num sábado
desses que ficaram pra trás somente há algumas
semanas, estava eu sentado numa cadeira de um clube com
os olhos fixos nesse mesmo casal, num flagrante de amor
explícito. Ela num belo vestido de noiva e ele num
elegante fraque (seria mesmo um fraque? Sempre me confundo
com essas vestimentas), com a aparência de cansados
por causa das trezentos e cinqüenta mil fotos que já
haviam tirado, trocaram um beijo rápido, porém
carregado dos melhores sentimentos possíveis. Um
beijo de cúmplices, que escolheram viver a vida juntos
até o fim de seus dias. |