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Rio de Janeiro, 13.03.07 |

Entrevista: GUILHERME PIVA, POR FRANCCI LUNGUINHO*

Guilherme Piva fala do seu trabalho na TV

  Foto: Claudia Laborne
Guilherme PIva e o cão CalvimPiva e o cão Calvim

O ator Guilherme Piva, que vive atualmente o personagem Nirdo, o cabeleireiro mais badalado da cidade de Piracicaba, na novela Pé na Jaca, da rede Globo, concedeu entrevista exclusiva, via e-mail, ao Crônicas Cariocas. O ator fala de sua experiência no teatro e no cinema. Ele conta como se prepara para compor seus personagens e os desafios da profissão de ator. Guilherme comentou sobre seu gosto pela natureza e o medo de viver no Rio de Janeiro, a cidade mais bela do mundo. Confira a entrevista.

A ENTREVISTA:

Crônicas Cariocas – Agronildo Ferreira Sales, ou melhor, Nirdo, é o cabeleireiro mais fashion de Piracicaba. Ele começou por baixo, como calista no salão da tia, até montar seu próprio salão e se tornar o mais requisitado profissional da área. Guilherme, o que você tem em comum com o Nirdo de Pé na Jaca?

Guilherme Piva – Nada. Até por isso é tão divertido fazê-lo. Tem muita coisa de pessoas que conheço.

Crônicas Cariocas - Como você acha que vai terminar seu personagem na novela?

Guilherme Piva – Nas altas rodas sociais e dando em cima de todos.

Crônicas Cariocas – Uma das cenas mais hilárias de Pé na Jaca, é quando Nirdo, Lance (Marcos Pasquim), Tadeu (Rodrigo Lombardi) e Maria (Fernanda Lima) fingem ser Primo Cândido (Ricardo Tozzi), Arthur Fortuna (Murilo Benício), Ed (Carlos Bonow) e Vanessa Fortuna (Flávia Alessandra) respectivamente. Como foi o clima dessa gravação?

Guilherme Piva – Maravilhoso. Esse núcleo é muito divertido e todos se admiram muito. Foi risada do início ao fim.

Crônicas Cariocas – Como era o Guilherme Piva antes de se tornar ator ainda em Caxias do Sul?

Guilherme Piva – Moleque. Fui morar em Brasília com sete anos e lá fiz muitos amigos que moravam na minha quadra. Adorava brincadeira de rua. Quando adolescente, fui de new wave ao dark.

Crônicas Cariocas – Você chegou a cursar advocacia, não é isso? Pensava em atuar na área?

Guilherme Piva – Acho que não. Fiz mais por causa do meu pai. Meu sonho mesmo era trabalhar em criação de publicidade.

Crônicas Cariocas – Quais os desafios e os medos que teve que encarar para seguir a carreira artística?

Guilherme Piva – Muitos. Desde a inconstância dessa carreira até a oposição da família.

Crônicas Cariocas – Só após 18 anos fazendo teatro, você teve sua primeira participação na televisão, mais precisamente na novela Xica da Silva (na antiga Rede Manchete). Aliás, num papel significativo, que o lançou como um grande ator da teledramaturgia brasileira. Por que ficou tanto tempo para fazer televisão?

Guilherme Piva – Porque não pintou convite. Fazia e faço muito teatro. Essa foi a minha base e não podia ter tido outra melhor. Teatro, sem dúvida, é o grande exercício do ator.

Crônicas Cariocas – Quem o levou para TV?

Guilherme Piva – Walter Avancini.

Crônicas Cariocas – Você fez um personagem belíssimo no filme Madame Satã, de Karim Ainouz. Como foi a construção deste personagem?

Guilherme Piva – Muito difícil. Fizemos muitos ensaios e laboratórios. Só aceitei fazer o filme porque estava muito bem cercado pelo Karim (diretor) e pelo Lázaro. Profissionais que admiro muito.

Crônicas Cariocas – Foi sua primeira experiência no cinema?

Guilherme Piva – Tinha feito um filme muitos anos atrás. Considero esse minha primeira experiência real no cinema.

Se não fosse pela violência, o Rio seria a cidade perfeita".

  Foto O Globo
O ator Guilherme PivaGuilherme Piva

Crônicas Cariocas – E esse seu gosto por natureza?

Guilherme Piva – A natureza perto, ainda mais misturada no meio da cidade, como é o caso do Rio, me traz tranqüilidade, harmonia e estimula a endorfina. Se não fosse pela violência e pela desigualdade, o Rio seria a cidade mais perfeita do mundo para se morar.

Crônicas Cariocas – Você tem feito vários personagens cômicos na TV. O que mais gosta de interpretar: papéis dramáticos ou cômicos?

Guilherme Piva - Gosto do personagem que me permite sair de mim mesmo para criar outra pessoa. Geralmente esse tipo de personagem vem com tintas muito fortes ou para a comédia ou para o drama (quase trágico).

Crônicas Cariocas – Como você constrói seus personagens?

Guilherme Piva – Com muito estudo. Vendo filmes e observando as pessoas ao meu redor. Conto muito com a intuição após ouvir o que o diretor está pensando.

Crônicas Cariocas – Qual personagem você gostaria interpretar?

Guilherme Piva – Vários. Iago é um deles. Outro é o Wladimir, da peça “Como é Cruel Viver Assim” que vou produzir esse ano.

Crônicas Cariocas - Quais seus planos para o futuro?

Guilherme Piva – Trabalhar muito ainda. Viajar sempre. Pintar e praticar muito o budismo (religião a qual me converti).

*FRANCCI LUNGUINHO é editor
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