O MENINO E A BOLA
Era uma vez um menino de oito anos que adorava bola. Tudo pra ele era futebol. Em casa, na escola, com os primos e com o avô... As terças e quintas-feiras havia na escola, na parte da tarde (já que de manhã era seu turno de aula), futebol para a garotada, administrada por um professor contratado pela diretoria... Lógico, Victor Hugo fazia parte do grupo... O horário era das 17:00 às 18:00h.
Quando o relógio marcava 16:00h, ele corria para o quarto e colocava o uniforme, meias e chuteiras... Depois ficava ansioso à espera do transporte que o levaria para o futebol. Era assim, sempre.
Seu pai, que o amava muito, só o presenteava com as melhores e “oficiais” bolas do mercado... Tinha mais de dez... Algumas que nem haviam sido inauguradas...
Um belo dia, Victor dormiu à tarde e, por mais que sua avó o chamasse para se arrumar, ele não acordou, perdendo a hora... Quando acordou, foi aquele alvoroço: choro pra lá, choro pra cá... Esperneou, culpou os avós por não ir ao futebol... Enfim, depois de muito chorar e inconformado, voltou a dormir...
Teve um sonho... Onde ele era centroavante e o goleador do time. Seus colegas o admiravam muito e seus dirigentes contavam muito com ele para serem campeões locais.
O técnico o chamou e disse: “Victor, conto com você neste jogo. Faltam três para o final do campeonato. A taça será nossa por antecipação se ganharmos este jogo. Portanto, vá lá e marque pelo menos mais gols que o adversário, correto?”
Era uma responsabilidade muito grande para um menino de apenas oito anos, pensou ele... Mas, tudo faria para seu time ser campeão...
As horas passaram e chegou o momento. O time já uniformizado subiu os degraus e ganhou o gramado sob a ovação dos torcedores... Victor, orgulhoso, ouvia clamarem seu nome: “VICTOR, VICTOR, VICTOR!” Aquilo o fazia vibrar mais ainda e a vontade de fazer gol aumentava...
Foi dado o início com o apito do árbitro...
Aos quinze minutos, o parceiro dele sofreu um pênalti... Quem foi bater?... Ele, claro. Um à zero no placar. Terminou o primeiro tempo assim...
No decorrer do segundo tempo o adversário empatou...
Quando faltavam dois minutos para o final, ele marcou o segundo e não houve mais tempo. O jogo acabou dois a um. Foi aquela alegria... Os jogadores, campeões antecipados, deram a volta olímpica, a torcida ovacionou, comemorou e gritou seu nome.
Victor, só alegria, pulava e gritava alto: “É CAMPEÃO, É CAMPEÃO, É CAMPEÃO!!!”
Seus colegas o carregaram nos ombros... Era a glória...
“Victor Hugo... Victor Hugo!... Acorda... Tá na hora do banho. Tua mãe já tá vindo pra te buscar...” Era sua avó, que como todos os dias, cuidava dele e do irmão menor, enquanto sua mãe trabalhava. E àquela hora eles se arrumavam para voltar para casa com sua mãe ou seu pai que os pegava na volta do trabalho...
Victor abriu os olhos com um sorriso nos lábios... “Ô, minha vó... me acordou numa hora tão boa...” Então ele contou o sonho que teve: Era um profissional!
“Então, não tá mais triste por não ter ido jogar na escola?” Perguntou a avó.
“Não... Se tivesse ido seria bom... Mas, o sonho recompensou tudo e eu estou feliz!...”
“Então, está mais que ótimo... Agora, pro banho, rapazinho...” disse ela.
Quando seu pai chegou trouxe pra ele... adivinha:... Uma bola, claro!...
É como diz o ditado: “Há males que vêm pra bem...” ou “Uma coisa compensa outra”. O fato é que nosso pequeno herói, mesmo sem entender isso, por instinto, assimilou a lição.
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*João Manoel
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