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Rio de Janeiro, 25.07.10 |

Cinco dias em Maceió

 
   

Maceió é uma cidade muito bonita. Os arrecifes fazem-na ainda mais bela, com os coqueiros espalhados pelas praias. As chicas são sorridentes e o povo caloroso e simpático. O uísque tem o preço honesto, as lagostas já não são mais as mesmas, porém as cervejas são encontradas facilmente,  bem geladas e em quase todos os lugares onde caiba uma mesa com cadeiras.

A riqueza, mui bem mal dividida, pode ser notada nas fachadas dos edifícios e hotéis estelares da beira-mar, e nos carros zero de marca. A pobreza dos demais corresponde à imensa maioria, mas esta comporta-se bem e democraticamente, no seu cantinho e sem encher o saco de ninguém. Sabemo-nos um povo cordato e maneiro. A segurança na periferia é mínima, embora nos centros turísticos não se faça tão urgente, como sói nas grandes capitais do nordeste. Por enquanto.

A parte histórica e cultural não é protagonista principal. Raros teatros, cinemas e, no máximo, shoppings de luxo ostentando uma moda copiada e cara. O turista, no entanto, não terá dificuldade de achar o que levar de lembrança, os mercados artesanais abundam. O mesmo de sempre: bonecas baianas, chapéus de palha costurada, castanhas de caju, sandálias rústicas e as tradicionais camisetas "estive em Maceió".

Há passeios interessantes, como o da praia do Gunga ou o de Maragogi. Se pretender conhecer a badalada praia do Francês, cautela: ela não é mais a mesma, tendo sido loteada pela horda de ônibus e vans de turismo rasteiro e sem controle. Totalmente dispensável.

A culinária alagoana não destoa da grande maioria nordestina, Come-se bem e barato as coisas do mar, com devidas ressalvas a algum restaurante meio metido à besta e careiro. Em compensação o camarão é como sardinha, inclusive no preço. Minha melhor experiência gustativa foi uma agulhinha frita, regada a simples caipirinha no Parmeggiano, um restaurante (de nome esdrúxulo para o lugar, eu sei) escondidinho e jeitoso, perto do Pontal. No Peixarão, no canto da praia da Ponta Verde, há uma peixada com moqueca que não fica a dever à capixaba.     

Com quaisquer vinte pilas, passeia-se de jangada por duas horas pela calma e ventilada Pajuçara. Recomenda-se procurar o Sr. Mário, veterano nessa arte, com seu indefectível chapéu de pescador (que ele garante não tirar nem pro banho).

Em Jatiúca, nosso velho esporte meretricial pode ser vastamente flagrado na orla ou no forró do Lampião, outrora legado de dança simples, hoje mercado de sexo em campo aberto. Não me perguntem o preço nem a idade das meninas, à guisa de evitar constrangimentos à toa.

Espero ainda voltar, antes que acabe. Não a putaria, é claro, mas o sossego.

***
SOBRE O AUTOR: *MARCIO PASCHOAL é escritor.
[[ BLOGUE OU SITE PESSOAL: www.marciopaschoal.com Contato: paschoal3@gmail.com ]]
 
 


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