FOTOS REVELADORAS
Com o iminente desabamento dos papéis, objetos e bugigangas do meu armário, resolvi que estava na hora de fazer uma pequena arrumação.
No meio de tantos guardados, achei fotos de família, férias, viagens e festas das mais diversas épocas. Encontrei fotos da infância até os tempos atuais, as quais me fizeram concluir que tive um passado intenso de atividades.
Se antes achava que não tinha feito muitas coisas ao longo dos meus quarenta e tantos anos, com certeza, agora, acho que fui precipitada no meu julgamento, pois “as fotos não mentem, jamais!”.
Engraçado, olhar para uma foto de 21 anos atrás, no aniversário de 50 anos da minha mãe, quando eu no auge dos meus vinte poucos anos, achava que ela estava ficando “velha”. Hoje, quando faltam apenas alguns anos para eu chegar aos 50, vejo que era uma mocinha tola e cheia de preconceitos infundados.
Uma foto interessante que encontrei foi a da minha formatura, quando minha melhor amiga pesava 49 quilos, e era uma das mais paqueradas da turma. Hoje, acima dos 70 quilos, nem mesmo o marido olha para ela...triste.
Outras me trouxeram boas lembranças. Cliques que foram tirados em praias onde passava as férias e ficávamos o dia inteiro, sem medo da camada de ozônio. Búzios era quase selvagem e não havia um único quiosque na areia. Minha mãe fazia sanduíches e meu pai cuidava da caixa de isopor cheia de refrigerantes e cervejas. Minha avó, que nessa época tinha sessenta e poucos anos, era considerada a idosa do grupo e não por coincidência, a única que reclamava de tudo. Nós nos apertávamos na Brasília, tinindo de nova, do meu pai e íamos felizes passar o dia na praia. Sem dúvida, esses foram os verdadeiros “bons tempos...”
Senti um pouco de nostalgia, pois constatei que muitas pessoas queridas já não estão mais por aqui. Isso me deu um aperto no coração, ao mesmo tempo em que senti uma saudade gostosa.
O mais revelador foi rever as minhas fotos, pois “era feliz e não sabia”. Meu cabelo? Lindo! Meu corpo? Lindo! Minha pele? Linda! Que sacanagem é essa que o tempo faz com a gente?
Separei alguns retratos para ficarem mais perto dos meus olhos e assim apaziguar a minha alma, pois se um dia fui assim tão “bela”, quem me garante que daqui a 20 anos, não vou achar a mesma coisa das minhas fotos atuais?
A constatação do tempo não se limitou, no entanto, à revisão de fotos antigas, mas ao encontro de inúmeros envelopes com negativos. Esses que hoje não têm função alguma e seriam jogados fora. Mas, pensando bem, mudei de idéia, pois esse material pode ser útil algum dia para as pesquisas dos meus netos.
Pois é, o tempo passa, mas os registros ficam guardados além das lembranças, basta clicar, revelar e colocar as fotos num fundo de uma gaveta ou armário. Daqui alguns anos, com certeza elas irão nos revelar o que jamais conseguimos enxergar até então. |